A forma do fechamento
Por que a forma fecha contra um só, e por que é tão difícil reabri-la. Esta página não tem números nem fórmulas: tem desenhos. É a parte da teoria que mostra que a acusação de muitos contra um não precisa de culpa para se formar. Precisa de posição.
Três pessoas
Tudo começa com três pessoas. A acusa B. B, para não ficar na posição ruim, acusa C, e acusa C diante de A. A partir daí A vira modelo para B: B imita A, e se diferencia de C.
"Eu posso não ser você, mas pelo menos não sou ele."
Repare no que mudou. No começo, A e B estavam em lados opostos. No fim, estão do mesmo lado, e C está sozinho. A amizade entre A e B não nasceu de afinidade: nasceu de um inimigo em comum. Essa é a operação elementar do mecanismo, e ela cabe num triângulo.
Os triângulos que descansam e os que incomodam
Pegue três pessoas quaisquer e as linhas entre elas. Cada linha é um laço de apoio ou uma acusação. Há quatro combinações possíveis, e elas não são iguais.
Um triângulo que incomoda tende a mudar uma linha até descansar. Essa regra é a teoria do balanço estrutural (o nome técnico é equilíbrio estrutural), formulada pelo psicólogo Fritz Heider nos anos 1940 e pelo matemático Frank Harary nos anos 1950. Ela não fala de culpa; fala de linhas.
As três formas em que um grupo descansa
Quando todos os triângulos de um grupo descansam, o grupo só pode ter uma de três formas. Não existe uma quarta. Ou todos são amigos de todos. Ou o grupo se divide em dois campos, amigos por dentro e adversários entre si. Ou todos são amigos de todos, menos de um, que é acusado por todos.
A terceira forma é a mais barata que ainda contém conflito: cada pessoa do grupo sustenta uma única acusação, e todas as acusações caem sobre a mesma pessoa. É a forma que o grupo encontra quando precisa descarregar uma tensão sem se dividir. Girard chamou isso de unanimidade menos um.
Por que os amigos se calam
Olhe para a terceira forma e vire uma única linha: um amigo que fica. Todos os triângulos em volta dessa linha passam a incomodar, um para cada pessoa do grupo. A pressão não recai sobre o grupo; recai sobre esse laço.
É por isso que contestar é difícil, e é por isso que o silêncio dos amigos não é concordância: é um laço sendo puxado por todos os lados. Enquanto os que ficam forem poucos, a saída mais barata para o grupo é que eles recuem. A pressão só muda de direção, e passa a apontar para a reabilitação, quando os que ficam passam de metade do grupo.
A saída e o preço
Tire a pessoa acusada do desenho. Tudo o que sobra descansa. A paz de todos foi comprada com o isolamento de um, e esse preço é cobrado de quem estava na posição mais fraca, não de quem fez a pior coisa.
Estável não quer dizer justo. Quer dizer que a tensão parou de se mover. Só isso.
Reabrir a forma é mais difícil do que fechá-la: cada laço que volta cria tensão em todos os triângulos em volta dele. Por isso a reabilitação, quando acontece, raramente vem de esforço solitário. Vem de muitas linhas mudando ao mesmo tempo, com um fato novo, uma decisão de peso ou uma voz que muitos seguem.
O que isso diz a quem está passando por isso
- A forma não precisou de você ser pior. Precisou de uma posição fraca, e qualquer grupo tensionado encontra uma.
- O silêncio dos seus amigos é pressão, não veredito. A linha deles está sendo puxada por todos os lados.
- A forma fecha depressa e abre devagar. Não é falta de esforço seu. É geometria.
Nada disso decide se você errou. Essa questão é separada, e continua sendo sua. Se é isso que está acontecendo com você, há uma pessoa que lê e responde: estou passando por isto.
A geometria desta página é a teoria do balanço estrutural (Heider, 1946; Harary, 1953). A formalização completa, com demonstrações e referências, faz parte da pesquisa e pode ser solicitada pelo e-mail de contato. Para a teoria por trás das linhas, veja O fenômeno; para o modelo que reproduz o fechamento passo a passo, veja O modelo.